Contos de fadas, por Emma Pedreira

Artigo de Emma Pedreira na Sega:
“É posible que na súa concepción inicial, o conto oral contase con dous niveis de comprensión diferentes por mor da mestura de públicos á hora de narrar. Dicía Bruno Bettelheim na súa Psicanálise dos contos de fadas que sentaban a escoitar ao mesmo tempo crianzas e maiores e os contos eran os mesmos para unhas e para outras; a mesma boca ensinaba e deleitaba, adoutriñaba e facía rir. Por iso nenas e adultas non comprendimos do mesmo xeito o concepto de fada, de princesa ou de bruxa, polo menos antes e despois da pubertade. Por iso non cremos a estas alturas –nin deberiamos de facelo a outras– naquilo de comeron perdices, a felicidade e demais. Ás nenas amosóuselles o camiño a seguir; ás adultas a consecuencia.
Desde Perrault, os Grimm ou Andersen, os contos de fadas de tradición oral europeos quedaron fixados na escrita e, polo tanto, os seus estereotipos xa atoparon un corpus co que argumentar o que se pretendía de nenos e de nenas. Logo veu Walt Disney e multiplicou esta desfeita. E as nenas quixeron ser princesas, fadas, as perdices e todo o pack.
Non foi até mediados do século vinte que se propuxeron outras lecturas dos contos populares, como a de Tanith Lee para a Branca de Neve, os poemas de Anne Sexton para o seu marabilloso poemario Transformations ou o Story Hour de Sara Henderson Hay, onde as autoras tratan de desmitificar a subordinación imposta ás nenas e esa busca do príncipe azul na que han basear toda a súa vida. E despois, a seguir agardando cíclicamente ensinar o mesmo que aprenderon á súa descendencia.
Angela Carter (Sussex, 1940-Londres, 1992) xa propuxera na súa Bloody Chamber (traducida como La cámara sangrienta por Minotauro) unha revisión feminina e feminista dos contos clásicos, desde a Carapuchiña, Barbazul, O gato con botas ou a Bela e a besta, onde as voces femininas teñen son propio, rebotante, importancia e solidez e os personaxes masculinos son subsidiarios. Unha lectura recomendabilísima pero na que non nos queremos deter se non é como banzo para chegar á entrega póstuma dos Contos de fadas de Angela Carter (Impedimenta, 2016), unha colección de contos de tradición oral na que a autora investiu gran parte da súa curta vida. (…)”

“Conducir no Afganistán”, por Arancha Rodríguez

Crítica de Arancha Rodríguez na Sega (foto de Paula Gómez del Valle):
“O camiño de descuberta do mundo é sempre un camiño violento, sórdido; cheo de tropezóns e de obstáculos. Se a ese camiño se lle engade o peso de ser muller, masticalo faise case imposíbel.
Non obvia Angélica Freitas (Pelotas, Brasil – 1973) esta natureza do percorrido, presentándonos un libro cun título igual de cru: um útero é do tamanho de um punho. Editado por Kriller71 nunha preciosa edición bilingüe portugués-español, o poemario semella un pedazo de carne sen cociñar, sangrante e imprevisíbel, que un xigante enorme nos fai tragar mentres esmaga as nosas gorxas.
Ler um útero é do tamanho de um punho é complicado; é ao tempo inmensamente certo. Navega a autora por temas tan recurrentes como o corpo, a hixiene, o sexo, evitando a discreción. Por que ninguén fala do noxo?, parece berrar esta obra. Por que ninguén fala do medo.
Talvez porque molesta.

uma mulher gorda
incomoda muita gente
uma mulher gorda e bêbada
incomoda muito mais

A natureza da muller no mundo, estranxeira a todo lugar máis que a si mesma -estranxeira ás veces de si mesma- parece empañar tamén todo o poemario. A súa anatomía, a súa voz; todo é censurábel. Se cadra o camiño de descuberta do mundo era, despois de todo, unha penitencia. (…)”

Teresa Moure: “O futuro convida a centrar os nossos esforços na tarefa de dar cabo do Apartheid ortográfico, de procurarmos um público sem prejuízos, de ganharmos espaços”

Entrevista a Teresa Moure no Portal Galego da Língua:
“(…) – Portal Galego da Língua (PGL): Vens de dar começo a um blogue pessoal de crítica literária, A tecer aranheiras. Ti própria diz fazê-lo “quando blogues já não estão na moda, quando ninguém tem tempo para ler”, fazendo um apelo à resistência. De que jeito pode a crítica, hoje, edificar uma resistência?
– Teresa Moure (TM): A cada dia que passa mais sou persuadida pela ideia de que fica pouco tempo para um certo tipo de literatura. O pessoal devora textos on-line, mas acha não ter um momento propício para outros formatos mais clássicos. Nesse sentido, é possível que a palavra resistência se module mais uma vez entre nós. O meu objetivo consiste, portanto, em tecer uma rede de cumplicidade entre criador@s que ainda tentamos construir mundos ou enviar mensagens para o público, embora tantas dificuldades. A tecer aranheiras concentra-se especialmente em livros invisíveis pelo seu género (poesia, ensaio), ou pela temática e o estilo; livros pouco divulgados nos meios convencionais ou declaradamente proscritos do núcleo oficial da cultura. Tem muito de subversão, de denúncia dos circuitos diminutos da crítica neste país, e também muito de brincadeira pessoal.
– PGL: Do mesmo ponto da crítica (que é sempre, mesmo em sentido inverso, também o da instituição), qual achas que é o estado das letras reintegracionistas? Quais os seus caminhos mais fecundos em clave de futuro?
– TM: Toda a literatura galega é um produto contrapoder por definição. Assim nasceu, como uma reivindicação nacional, e dalguma maneira esse é seu perfil caraterístico, visto que continua a ser vetada na maioria das montras das livrarias. Num tal contexto, a literatura galega reintegracionista constituiu mesmo as margens das margens. Porém, nos últimos tempos, timidamente, e devido a circunstâncias externas a seus criadores, parece visualizar-se um bocado. Como tais produtos literários, as criações em normativa reintegracionista têm a garantia duma vontade de língua, que é um motor importante nesta arte. O futuro convida a centrar os nossos esforços na tarefa de dar cabo do Apartheid ortográfico, de procurarmos um público sem prejuízos, de ganharmos espaços. A qualidade e as vontades de tantas criadoras e criadores não podem ser inúteis. (…)
– PGL: Bolcheviques (1917-2017), livro coordenado por ti e editado por Através e Xerais, vem de ser escolhido como um dos melhores ensaios do ano pelos leitores de Fervenzas Literarias. Agora que têm passado já umas semanas desde a sua aparição, e que começaste a fazer lançamentos da obra, como avalias a experiência?
– TM: Os volumes de Bolcheviques, um único livro com duas editoras, constituem uma experiência sem precedentes na nossa história editorial e bastante esquisita em qualquer lugar. As grandes editoras dum país pequeno e culturalmente ocupado por outra língua decidem uma política sem fendas: só publicam numa normativa isolacionista, rejeitando as possibilidades económicas e a difusão internacional que teria a ortografia histórica. Em consequência, no lado escuro, xorde uma alternativa editorial para dar voz à dissidência, por assim dizer. Perante uma tal situação, quando alguém quer organizar um volume de autoria coletiva sobre determinado tema, vai bater com que os autores e autoras especialistas de facto escrevem em normativas diferentes. Uma resposta possível, que também não é assim tão imaginativa, consiste em propor que cada autor(a) utilize a normativa da sua preferência e que o livro seja editado por duas editoras, que podem manter, desta maneira, as suas políticas ortográficas. Utilizei no prólogo a metáfora do rei Salomão com certa ironia. Desta vez, o Salomão decidiu partir a criança, a metade para cada mãe. Pretendíamos visualizar assim que, quando existir vontade, é possível procurar a via. A minha esperança é que no futuro imediato apareçam mais projetos onde a convivência das normativas dê nas vistas, experimentando com novas fórmulas. Porque nós, reintegracionistas, queremos lá estar, na cultura galega; não fazer parte dum grupo de exílio forçado.
Num sentido diferente, acho muito engraçado que seja eu (nem militante dum partido comunista, nem historiadora) a coordenadora. Ter escrito um romance sobre Inessa Armand e Lenine deu-me hipótese de partilhar opiniões políticas e históricas com boa parte da esquerda deste país. No ano passado fui convidada a participar num Comité para a celebração do centenário da revolução russa e lá propus que o meu contributo poderia consistir em publicar um livro. Eis o livro. (…)”

Tabela dos Libros de marzo de 2017, por Armando Requeixo

Desde o blogue Criticalia, de Armando Requeixo:
“Co primeiro luns do mes, chega a nova Tabela dos Libros que ofrece a lista de títulos que Francisco Martínez Bouzas, Inma Otero Varela, Mario Regueira, Montse Pena Presas e eu estimamos como os máis recomendables entre os publicados nas últimas semanas.”

“Sombra de mulheres na erva”, por Susana Sánchez Arins

Artigo de Susana Sánchez Arins na Sega:
“(…) Esta é a arte de Daniel Asorey. Brinca com a verdade e a mentira com a finalidade única de atirar-nos dos olhos a venda que nos cega, a mesma que nos impede ver quem fomos e, portanto, que somos. E boa falta fazia, que alguém colocasse no papel, bem clarinho, o nosso lugar nessa história que sempre preferimos não ler.
O autor introduz-nos no seu mundo à maneira documental, mostrando as provas da verdade: a existência das cangaceiras. Nascemos ao romance com uma fotografia, tão brutal como real, das cabeças cortadas, sem ilhas nem piratas. E, pensando que estamos a ler recriação historicista, passa a situar-nos numa Compostela amsterdiana, substituídos por canles os caminhos de pedra que conhecemos. Falsidade. Como vão chegar as dornas à praça do Obradoiro!
E damos com elas. Com as protagonistas. Matilda a Gringa, Maria Bonita, Carme de Candingas. Eis as três. Com nome. E com capacidade de nomear o universo. Polos olhos e pensamentos delas, em espaços diversos, desde posições sociais diferentes, mesmo em distintos momentos históricos, vemos como aprendem que não são flores deste mundo, que o que elas vem, pretendem, querem, não pode ser edificado lá onde a história as colocou. Todas elas, as três, rebelam-se contra o seu destino de mulheres obedientes. Estão dispostas a luitar por mudá-lo todo, para, após o fulgor duma amarga descoberta, acabarem tão desiludidas como cientes de que as suas ambições de justiça excedem-se em ambiciosas. Não serão consentidas. (…)”

“Canibalismo amábel”, artigo de Rosa Enríquez

Artigo de Rosa Enríquez na Plataforma de Crítica Literaria A Sega:
Deshabitar a casa, o libro de poemas de Miriam Ferradáns (Bueu, 1982), que vén de levar o Premio Francisco Añón de Poesía, ábrese cuns versos do poeta cubano José Martí. Estes concretamente: “As verdades elementais/caben nunha á de colibrí”. Coido que os escolleu con moito tino, pois quen lea o libro poderá decatarse de que si, en efecto, os versos de Martí son un anticipo da trama poética que Ferradáns desenvolve neste traballo. Certamente, estamos ante un relato tenso e intenso no que a presencia dos paxaros é constante. É coma se estas aves traducisen unha inquietante teima interna, a da propia animalización que arrodea os habitantes desa casa. “Viñeron en grupos ben organizados e chamáronlle bandadas”, podemos ler xusto despois desa cita de Martí. Con este verso sitúanos, sen contemplacións, dentro da casa. Unha vez alí, recibimos con intranquilidade esa bandada. Mais, que bandada? A dos paxaros. Chegaron e invadiron todo, porque estaba aberta. Daquela, aclara, “Ninguén os puido acusar de invadir o noso espazo”. Evidentemente o conxunto entrou nese lugar libremente, sen oposición de ningún tipo. Esta maneira de entrar e trazar unha danza devastadora non sucede en todas as casas, só nas dos pobres. Por iso a voz de Miriam murmura entre paréntese, ao final dese poema, “Din que sempre están abertas as ventás das casas dos pobres”. Ata aquí, tan só as primeiras liñas deste relato poético desgarrador, que quere situarse no centro da ferida, coma quen vive en guerra co instinto e ofrece, por tanto, a crónica do fracaso, dun intento estéril de se sobrepór ao medo e vencer: “Ás veces escoitabamos o lobo/ e trababamos na lingua ata facernos sangue/ porque algúns fluídos impiden, no instante, a palabra:/ tragas ou esganas”. As persoas que habitan ese lugar en ruínas, saben dos lobos, dos paxaros, están preparadas. E ceden: “Viñeron todos contra nós e deixámonos comer”. Entregan o que son: a súa liberdade. Estamos ante un relato tenso, insisto, que sitúa a escrita de Miriam nun punto singular e atraente: na narratividade poética, a golpe de disparos. Non hai explicacións minuciosas, nin xogos de palabras. Nada. Só a sinxeleza, a capacidade de nos saber tensar e poñer en xaque. Non temos moi claro se se trata de licántropos -aparece a figura do lobo, no papel que lle é propio ao longo da literatura, se cadra inxustamente- ou de paxaros mordedores, tampouco temos moi claro, nunha primeira lectura, se eses paxaros representan o conxunto de persoas que criminaliza a pobreza ou simplemente os comedores ávidos de miseria, que, na súa mediocridade, buscan matar para ser. Non temos nin idea, porque Miriam simplemente lanza versos, bótaos no papel, suxire. É esta suxerencia a que dispensa ese carácter seductor ao que escribe. A autora narra poemas, poetiza contos, escribe e describe, constrúe imaxes en branco e negro para nos amosar a grisalla. É clara, directa, renuncia as trampas da linguaxe. Sen esforzo nin dobrez consegue ubicarnos dentro dese espazo estraño, de ventás abertas, no medio dunha situación cruenta. “Foi un canibalismo amábel, como amar/e como amar,/ había premeditación na dentada”. Puidese ser que a fame, como amar, fose quen de incitar ao devandito canibalismo, que, en certo xeito, devén neste relato poético unha urxencia. Quen come a vida allea, que asume esa condición de alimento útil, sobrevive. (…)”

“Horizontes de mulleres”, por Eli Ríos

Artigo de Eli Ríos na Plataforma de Crítica Literaria A Sega:
Horizonte e mar, de Paula Cristina Rodrigues, é unha novela das que hai que ler até a última páxina. Desas que, nese punto exacto no que nos parece que comeza a ser pesada…, zas! Dá unha virada e sorpréndenos con aquilo que intuíamos, pero, ao mesmo tempo, negabamos. Queremos ler unha narración plana, pero a autora non o vai permitir. Unha historia, a historia da matriarca Francisca desde aquel decembro de 1947, no que unha traxedia no mar a converte en orfa de pai e de irmán, até xaneiro de 2013 cando morre e o bisneto Dinis recolle a súa memoria.
A narración comeza debullando a historia da peixeira Francisca cando unha desgracia marítima a deixa sen familia. Ese instante no que caen todos os seus apoios e se ten que enfrontar ás dificultades da vida para criar os fillos e sacar a casa adiante sen máis recursos que os que lle proporciona o seu traballo xa que o home se desentende completamente.
O eixo que vertebra a novela é a historia familiar, pero, esta, non acontece illada da sociedade. A través das súas páxinas, asistimos ao nacemento do Porto de Leixões, ao desenvolvemento e modernización de Matosinhos ou Leça da Palmeira, e ao reivindicar das vivencias persoais, nestes procesos, porque a Historia non se escribe nos libros, redáctana as persoas individuais. Presenciamos, entón, unha análise etnográfica, interesante e deliciosa, desde a primeira persoa. Francisca guíanos a un tempo no que as peixeiras camiñan descalzas coas cestas do peixe na cabeza desde o porto até Matosinhos para gañar uns tostões que gardan nos seus aventais, pero, tamén, a unha época na que ser muller era moi complicado. Con catorce anos ela descobre un dos grandes conflitos (e reflexións desta obra): o corpo de muller sobre o que os homes deciden sen impunidade. (…)”

“Meditando sobre o chamado canon (II)”, por Xesús González Gómez

Artigo de Xesús González Gómez en BiosBardia:
“Antes de continuarmos, vaiamos por outros canons. Vimos o dos editores, que é o canon das vendas. Existe tamén un canon dos clubs ou grupos de lecturas, que agora están a se pór de moda no noso país. As súas eleccións, que interesan moito a editores e xornais e que intentan guiar, son significativas: ficción, máis precisamente novelas, e máis precisamente aínda novelas “lexíbeis”; nada de “clásicos” (xa non estamos na escola), tampouco de vangarda (lectura demasiado difícil). Semellante canon é derivativo e dominado polo dos editores.
Existe outro grupo de canon que non pasa, ou non tan evidentemente, polos procesos de fetichización mercantil: os canons comunitarios. Non se negará a súa grande utilidade (en Galicia, en certa maneira, a colección, patrocinada no seu día pola Xunta, ‘As letras das mulleres’). Ora, tampouco se debe esquecer que este tipo de canons teñen unha serie de limitacións, sendo a principal, como veremos, que calquera reivindicación dunha identidade fetichiza e exclúe (fetichiza o que pertence á comunidade, o que porta reivindicación de identidade, e exclúe o que non pertence). Exemplos hai, mesmo dentro da nosa pequena literatura; e, hai un tempo, respondendo a un artigo de Manuel Veiga en BiosBardia, alguén escribiu cousas como: “A min fáiseme difícil entender como escritor galego aquel que, escribindo en galego, deámolo por sentado, na súa obra só fai referencias a outras culturas, mentres se esquece que na Galicia tamén houbo cultura, tamén houbo e hai literatura. Esta desinserción, esta deserción, é moi significativa”. Responder a estas palabras levaría moito tempo. Demasiado, e non estamos seguros de que convencésemos o máis mínimo a quen tales palabras escribiu ou aquel(es) outro(s) que concorda(n) con elas. Xa non se trata de afirmar, como escribía Otero Pedrayo hai, exactamente, cando eu estou a argallar este artigo, 89 anos e 11 días: “Pódese pensar e sentir en galego nun coarto de hotel de New York ou de París sin preciseón de que a fiestra se franquee sobre un tremelocer de ría nin a un saloucar de piñeirales. Aturúxase demasiado nas corredoiras dos libros galegos. A salvaceón virá cando os galegos podamos pornos diante a verdade ceibe do noso esprito” (“Arquivolta frolida”, El Pueblo Gallego 14-IV-29, recollido en Prosa miúda, Sada, Ediciós de Castro, 1988, edición de Aurora Marco). Otero escribiu, penso, o devandito artigo, cuxa visita recomendamos encarecidamente, contra aqueles outros escritores galegos, que tamén colaboraban en El Pueblo Gallego, que “cuestionaban” os que hoxe coñecemos como “homes de Nós”: Felipe Fernández Armesto, Otero Espasandín, Rafael Dieste, Xesús Bal e Gay e mesmo, naqueles anos, Johan Carballeira –que asinaba artigos contra a introdución do galego na escola–, etcétera. [Sería interesante facer un estudo comparado, ou, ao estilo de Plutarco, unhas “vidas paralelas” para sabermos os camiños que seguiron uns e outros. Mais estoume a afastar do tema.] Otero vía ben, como se di. E así poucos anos despois entregaría unha das súas mellores novelas onde Galicia, as referencias a Galicia, non aparecen: Fra Vernero. Como tampouco existen as referencias a unha posíbel tradición narrativa galega: inventouna el. Ora ben, nesta novela, como en Cara a Times Square, de Camilo Gonsar, ou Se o vello Sinbad…, e algunhas outras que non citarei, se ben non existen referencias a Galicia, nin á súa cultura, nin á súa literatura, nin á súa paisaxe, etc., o referente é Galicia, evidentemente. E iso é o que importa, o demais son bromas. Mais hoxe debemos ir alén, no que poidamos, de Otero. (…)”

“A infantilización da literatura galega e o seu perigo de desaparición”, por Manuel Veiga

Artigo de Manuel Veiga en BiosBardia:
“Que a literatura galega está en perigo é unha evidencia: non hai público. O público capacitado e favorábel a ler en galego desertou ou nunca chegou a sumarse. Hai que preguntarse por que.
Certo que se producen libros, que existen premios e que a nómina de autores é máis ampla que nunca. Certo que hai editoriais que fan un esforzo considerábel de difusión. Pero o problema non está aí. O problema está en que todo iso que podemos chamar o noso sistema literario respira e vive en función do ensino, nunha porcentaxe alarmante. Fóra diso quedan as presentacións de libros, onde os amigos do autor exercen un mecenado que dificultosamente consegue xerar un número mínimo de vendas. As novas técnicas de impresión que facilitan a edición de tiradas moi pequenas son sen dúbida o elemento que evitou que a literatura galega dese xa en quebra, é dicir que se limitase a publicar narracións con destino exclusivamente escolar.
A desaparición do público, xa de por si historicamente escaso por razóns coñecidas, creo que ten que ver coa infantilización progresiva do estilo e dos argumentos. É dicir, o sector seguiu, cando menos en parte, unha estratexia equivocada.
Se aínda lle podemos dicir a un visitante exterior que a literatura galega existe é porque unha persoa que se chamaba Blanco Amor decidiu escribir A esmorga, sen pensar en absoluto no público que a ía recibir (minúsculo, en todo caso, dada a época) ou porque outra persoa, chamada Méndez Ferrín, decidiu escribir Arraianos, simplemente porque sentiu a necesidade interior de facelo, non porque o mercado llo demandase. (…)”

“Deixarse ir”, por María Reimóndez

Artigo de María Reimóndez na Plataforma de Crítica Literaria A Sega:
“Seguramente deba comezar esta recensión con dúas confesións. A primeira ten que ver coas miña suspicacias ante iso que se chama noutros sistemas literarios “literatura de viaxes”. Debo admitir que as narrativas, en particular de suxeitos británicos brancos, sobre “outros lugares” sempre me provocan unha cella levantada e unha sospeita aprendida. Non en van é esta unha literatura adestrada en colonizar, facer estraño e ridiculizar o que non se axusta ao “mundo coñecido”. Por veces as narrativas disfrazan o racismo con “humor”, outras caen na forma máis moderna do colonial: o exotismo. É unha tradición literaria que atopo detestable e que lembro dos meus días adolescentes lendo crónicas aparentemente graciosas de señores que ían vivir á Toscana ou á Provenza e atopaban todo fondamente “peculiar”.
A segunda confesión ten que ver coa miña fascinación cada vez maior polo xeito en que os libros chegan ás persoas, e as persoas aos libros. Os procesos non teñen por que ser os agardados e evidentes. Con frecuencia hai alguén que nos recomenda un texto, ou un libro chama por nós nunha librería. Na Sega pásanos moito que a miúdo unha de nós descobre alfaias que as demais quedamos con gana de ler. O libro do que escribo hoxe chegou a min dun xeito lixeiramente diferente, pola curiosidade que me provoca compartir espazo con escritoras e escritores doutros lugares con coñecemento do que fan. Saber de que escribía Eluned Gramich formaba parte do afán de saber quen era esta autora de orixe galesa e alemá coa que ía compartir tempo nun festival literario en Hyderabad.
Ao saber que o seu libro era unha memoria dunha estadía no Xapón, non puiden evitar regresar á cella levantada da miña primeiro confesión e, sinceramente, agardar o peor. É agradable que os feitos nos contradigan nestas cousas, pois a voz de Eluned Gramich marca unha distancia e unha fenda coa tradición da literatura de viaxes británica que paga a pena explorar. Pode que se cadra ser galés parlante, malia escribir esta obra en inglés, marque unha distancia necesaria con este tipo de relatos. Pode, simplemente, que a sensibilidade e experiencia autorial partan dun afán consciente de criticar o discurso adquirido. Mais o certo é que esta Muller que trae a choiva dista moito das narrativas que antes mencionaba. (…)”