Sentada na butaca, por Susana Sánchez Arins

Artigo de Susana Sánchez Arins na Sega:
“Acordaram-me as índias dos filmes da tevê: ser cheroqui, ser aqui antes de chegar o homem branco. O verbo sem tempo. O verbo intemporal. Não ser passado não ser presente não ser futuro. Só ser. Nem sequer estar. Não fazer diferença. Ser e estar como sinónimos. A essência na simples permanência.
Logo loguinho caim na conta de que não, que não podia ser cheroqui, porque sempre as índias começavam com o seu exótico nome: ser águia dançante em tronada de inverno, ser cheróqui, ser aqui antes de chegar o homem branco. Nomes que levavam com eles a força do carácter, acaídos à personalidade do eu que os portava, não como os nossos, Susanas ou Marias que já nem sabemos que querem dizer. E a mulher da butaca é uma mulher sem eu. O verbo sem tempo e sem pessoa. A ausência de sim própria como essência. Ser sem ter que sem ter estar só estar sem ser quem ser quenser.
E acordaram-me as áreas de Broca e Wernicke, essas que habitam no nosso cérebro. E as suas afasias. Ser quem de pronunciar mas não ser quem de perceber. Ser quem de pensar mas não ser quem de pronunciar. Esquecer o nome mas não esquecer o verbo. Não acertar a dizer o nome mas pronunciar claramente o adjetivo. O cérebro como órgão incompreensível.
A mulher da butaca é uma mulher de língua asintática, desmorfológica, contrasilábica, e com todo e isso, absolutamente clara, inteligivelmente transparente. Eis a arte de Esther F. Carrodeguas.
No seu, poemário?, texto dramático?, brutal!, na butaca [fantasía nº 3 en Dor Maior], dá voz à senilitude, for demência, for alzhéimer. E oferece-nos uma voz tão apegada ao real, tão achegada a verdade quotidiana da velhice mais dependente, que ressoa em nós após a leitura. A sua mulher sem nome, sem eu, sem pessoa, continua gravada como um berro, uma vergonha, um escândalo público. (…)”

Nós tamén navegar. 40 anos de poesía galega. Congreso de Poesía da AELG

Nós tamén navegar. 40 anos de poesía galega é o título deste Congreso de Poesía organizado pola AELG, co que se pretende facer unha revisión da poesía galega nos últimos catro decenios, un exame da súa situación actual e do peso da poesía no sistema literario e na sociedade galega, tendo en conta a relevante diversidade de propostas, achegas e temáticas que mostran as diferentes poéticas existentes, e tamén analizar colectivamente os retos para o futuro.

OBXECTIVOS
Preténdese facer un debate aberto sobre o estado actual e recente da poesía galega, unanimemente recoñecida pola súa grande valía literaria, mais que padece unha certa invisibilidade social no seu propio territorio, o que fai máis necesario que nunca un Congreso onde se debatan diversas perspectivas sobre ela, como un punto de encontro onde reflexionar serena e abertamente arredor das experiencias vinculadas ao feito poético.

INSCRICIÓN
A asistencia ao Congreso para o público interesado é libre e de balde, mais pedimos que fagan a inscrición previa, a efectos organizativos, no correo electrónico oficina@aelg.org ou ben no teléfono 981133233 (neste caso, en horario de 09:30 a 14:00 horas, de luns a venres).

FORMATO
O Congreso dividirase en seis mesas redondas, en formato de grupos de traballo, sendo a idea fundamental o debate aberto e a intercomunicación fluída de propostas, análises e perspectivas. Tamén terá lugar un recital poético con voces representativas destes últimos 40 anos de creación poética.

PROGRAMA

VENRES 6 DE OUTUBRO
Pazo da Cultura de Pontevedra (Rúa Alexandre Bóveda, s/n. –como chegar-)

Tarde
16:00 Recepción dos/as congresistas.
16:15 Inauguración do Congreso, coa presenza do presidente da AELG, Cesáreo Sánchez Iglesias, e a Concelleira de Cultura, Carme Fouces.
16:30 Mesa redonda (grupo de traballo) 1. Nós tamén navegar, a poesía galega de 1976 a 2016.
Coordinadora: Marta Dacosta.
Relatoras: Helena Villar, Rosa Enríquez e Yolanda Castaño.
– 18:30 Mesa redonda (grupo de traballo) 2. Teatro e outras formas de comunicación do poético (oralidade, popular, etc.).
Coordinador: Afonso Becerra.
Relatoras/es: Miguel Sande, Antonio Reigosa e Silvia Penas.

Espazo Multidisciplinar Nemonon (Rúa Marqués de Riestra, 11, 1º –como chegar-).
21:15 Recital de poesía e música, coa participación de: Rosalía Fernández Rial, Xulio López Valcárcel, Antón Lopo, María do Cebreiro, Baldo Ramos, Ana Romaní, Daniel Salgado, Susana Sánchez Arins, Dores Tembrás e Vítor Vaqueiro, xunto á música ao vivo de César Morán. Presentado por Lucía Novas.

SÁBADO 7 DE OUTUBRO
Pazo da Cultura de Pontevedra

Mañá
10:30 Mesa redonda (grupo de traballo) 3. Interaccións poéticas: ensino, lingua, ciencia.
Coordinadora: Mercedes Queixas.
Relatoras/es: Ramón Caride, Ramón Nicolás e Estíbaliz Espinosa.
– 12:30 Mesa redonda (grupo de traballo) 4. Traducións e diálogos con outros sistemas poéticos.
Coordinador: Ramiro Torres.
Relatoras/es: María Reimóndez, Raúl Gómez Pato, Tiago Alves Costa (Lusofonia).

Tarde
16:30 Mesa redonda (grupo de traballo) 5. 40 anos de poesía aos ollos da crítica
Coordinadora: Chus Nogueira.
Relatoras/es: Vicente Araguas, Teresa Seara e Mario Regueira.
18:30 Mesa redonda (grupo de traballo) 6. Innovación poética, trans-xénero, novas modalidades.
Coordinador: Carlos Negro.
Relatoras/es: Fran Alonso, Antía Otero e Celia Parra Díaz.

“Todas as pessoas teríamos que ser feministas, mesmo as tradutoras”, por Susana Arins

Artigo de Susana Sánchez Arins na Sega:
” És feminista?
– Sim
– Não
– Bom… / Imos ver… / Que percebes por feminista? / Sim, mas… / Eu sou humanista. / etc
Se a tua resposta é sim, quiçá o opúsculo Todos teríamos que ser feministas não seja para ti. Mesmo se respostas não podes escusar a leitura (para que? Também não estarás a ler isto, provavelmente). Mas se fazes parte no terceiro grupo, no das pessoas reticentes a dizer de boca cheia, Sim, sou feminista, embora sensíveis à questões de género, este sim é o teu livro.
Chimamanda Ngozi Adichie preparou uma palestra TED para explicar o feminismo a pessoas não feministas. E o texto dessa palestra, minimamente adaptado, foi publicado posteriormente. Gozamos da vantagem de poder ler o texto e escuitar a autora, que o modula e matiza com as suas pausas, silêncios e inflexões.
Ngozi Adichie faz um recorrido vital por momentos e experiências pessoais com os que justifica a necessidade do feminismo. Começa com o próprio conceito, feminista, que ela percebeu por vez primeira recebido como insulto. E evoca cada um dos encontros com essa palavra até chegar a se definir como uma “feminista feliz africana que não odeia os homens e gosta do batom nos lábios e dos saltos para ela mesma e não para os homens”. Já neste introito damos com uma das armas da autora para ganhar às leitoras: o humor. (…)”

Pontevedra: actos destacados na Festa dos Libros para o venres 23

O venres 23 de xuño comeza a Festa dos Libros, na praza da Ferrería de Pontevedra, organizada polo Concello de Pontevedra e as librarías da cidade. O horario será de 11:00 a 14:30 h. e de 18:00 a 23:30 h. Os actos máis destacados para ese día son os seguintes:

18:00 h. Ana Cabaleiro presenta Sapos e Sereas, publicado en Galaxia. Participa xunto á autora Francisco Castro. No Auditorio.
18:30 h. María Solar asina exemplares de Os nenos da varíola, publicado por Galaxia, e As horas roubadas, publicado por Xerais, en Cronopios.
18:45 h. Xornalismo-literatura. Tensión sexual non resolta, por Xosé Manuel Pereiro, codirector da revista Luzes. No Auditorio.
19:00 h. Presentación de Inferno (Discursiva), de Daniel Peón Targus, e Atrofiadas as estrelas, de Alexander Vórtice, da mesma editora. En La Nube de Papel.
19:15 h. Mesa da memoria con Montse Fajardo: Un cesto de mazás; Luís Bará: Non des a esquecemento; e Susana Sánchez Arins: seique. No Auditorio.
20:00 h. Buenaventura Aparicio presenta Segredos ao descuberto. Paz.
20:30 h. Migallas: Canta connosco, na Espazo do Lector Nobel.
21:00 h. Pedro Feijoo presenta Os fillos do lume en conversa con Susana Pedreira, nun acto organizado por Cronopios, no Auditorio. O libro está publicado por Xerais.

Crónica videográfica da II Gala do Libro Galego (IV)

A II Gala do Libro Galego, coorganizada pola Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega, a Asociación Galega de Editoras e a Federación de Librarías de Galicia, tivo lugar o sábado 20 de maio no Teatro Principal de Santiago de Compostela.

Aquí pode verse a crónica videográfica completa, da que destacamos hoxe estas intervencións:

Premio de Ensaio: Mercedes Queixas, Labrego con algo de poeta.

Premio de Tradución: Historia do nobre Ponto, que foi rei de Galiza e de BretañaAnónimo. Tradución: Henrique Harguindey Banet.

Proxecto literario na rede: A Sega. Plataforma de Crítica Literaria.

O quarto de… Susana Arins

Desde A Sega:
“Criada numa família numerosa com casa pequena e todo comunal, nunca achei de menos um quarto próprio. Até o ter. Fui estudar a Santiago e contei com um quarto nos depauperados pavilhões do Burgo, graças aos quais tantas pudemos fazer carreira. E aí desatou-se a minha atividade escritora. A soidade era pouca: paredes de papel e muita atividade estudantil, mas fechada a porta, o mundo era todo meu. E quando tive outra vez um quarto próprio, em Lisboa, acompanhado da solidão mais absoluta (sozinha numa cidade desconhecida), aí foi um não parar. Cadernos, cadernos, cadernos. Creio que foi em Lisboa que li a Woolf e senti que eu estava a viver o processo que ela narrava no ensaio.
Com a experiência, aprendi a encontrar a intimidade em qualquer lugar: sou quem de escrever o rascunho de um texto no meio de uma palestra, de um jantar, de um café de barulho ensurdecedor. Isso sim: a revisão deve ser feita em solidão. Para isso nada substitui o quarto próprio. Mesmo a distância incrementa a capacidade revisora: provei novamente a bakardadea total, refugiando-me em Pasaia, onde até a língua do café da manhã me isolava, para acabar o seique. A prova irrefutável.
Porém, com o tempo, cai noutra conta: quase todas as ideias para a escrita nascem-me de conversas, encontros, anedotas, acontecidas no trabalho, na festa, no café, na compra. Sobre todo de conversas. E dei em ver que do que eu preciso é da exata e certa combinação entre soidade e companhia, intimidade e comunidade. Tenho que dialogar no mundo para poder esconder-me no meu acovilho e escrever. Por isso penso que o quarto próprio de Virginia Woolf deve ir acompanhado de vida em comunidade, de encontro.
Em tendo essas parcelas, o resultado é a criação.
Para mim foi objetivo vital. Criada numa família numerosa com casa pequena e todo comunal queria contar com um quarto próprio. E dei. Edifiquei um maravilhoso refúgio para agachar-me de vós e com todo a mão: luz, livros, impressora, lembranças, dicionários… mas também é certo que quase sempre o refúgio é bem mais simples: sofá, manta, livro e computador.”